POR
QUE A ESPIRITUALIDADE CURA?
HERBERT
BENSON está à frente do Instituto Mente/Corpo da Faculdade de
Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Nos últimos 35 anos, dedica-se a pesquisas científicas que comprovam: a fé e a meditação melhoram a saúde.
Nos últimos 35 anos, dedica-se a pesquisas científicas que comprovam: a fé e a meditação melhoram a saúde.
Imagine
um médico receitando 20 minutos de meditação, duas vezes ao dia,
para combater a hipertensão, por exemplo.
É
isso que faz o doutor Herbert Benson, pesquisador e
fundador-presidente do Instituto Mente/Corpo da Faculdade de Medicina
da Universidade de Harvard.
Há
mais de três décadas, ele realiza estudos em laboratório e vem
comprovando que aquietar a mente é um hábito poderoso na prevenção
e no combate de problemas como insônia, tensão pré-menstrual,
infertilidade e hipertensão.
Além disso, alivia os efeitos de doenças crônicas e tratamentos químicos fortes, como o de câncer.
Além disso, alivia os efeitos de doenças crônicas e tratamentos químicos fortes, como o de câncer.
O
doutor Benson concluiu que de 60 a 90% das doenças podem ser curadas
pela mente.
Ele é autor de sete livros sobre o assunto, como Medicina Espiritual (ed. Campus) e o best-seller The Relaxation Response (não traduzido para o português).
Em julho passado, no II Congresso Internacional de Stress, organizado pela ISMA-BR (International Stress Management), em Porto Alegre, ele falou sobre MEDICINA E ESPIRITUALIDADE:
Ele é autor de sete livros sobre o assunto, como Medicina Espiritual (ed. Campus) e o best-seller The Relaxation Response (não traduzido para o português).
Em julho passado, no II Congresso Internacional de Stress, organizado pela ISMA-BR (International Stress Management), em Porto Alegre, ele falou sobre MEDICINA E ESPIRITUALIDADE:
Bons
Fluidos - Como a espiritualidade pode trazer benefícios para a
saúde?
Herbert Benson - Sempre digo que há um tripé que sustenta a cura: os medicamentos, a cirurgia e a espiritualidade. Cada um deles tem seu peso, sendo que o hábito diário da prática da meditação corresponde de 60 a 90%. O resto é efeito da medicação ou, caso seja necessário, da cirurgia. Como médico, não receito para meus pacientes apenas a meditação, pois os recursos da medicina não podem ser desprezados.
Herbert Benson - Sempre digo que há um tripé que sustenta a cura: os medicamentos, a cirurgia e a espiritualidade. Cada um deles tem seu peso, sendo que o hábito diário da prática da meditação corresponde de 60 a 90%. O resto é efeito da medicação ou, caso seja necessário, da cirurgia. Como médico, não receito para meus pacientes apenas a meditação, pois os recursos da medicina não podem ser desprezados.
BF
- Por que, então, o senhor pesquisa a espiritualidade?
HB - Pesquiso os efeitos da espiritualidade na cura de doenças há 35 anos e comecei estudando a relação entre o estresse e a hipertensão.
Primeiro fiz experimentos com macacos. Porém, na época, recebi uma proposta de estudar os efeitos físicos da meditação em um grupo de praticantes assíduos. Essas pessoas não tinham problemas de pressão alta e diziam que isso estava relacionado à meditação.
HB - Pesquiso os efeitos da espiritualidade na cura de doenças há 35 anos e comecei estudando a relação entre o estresse e a hipertensão.
Primeiro fiz experimentos com macacos. Porém, na época, recebi uma proposta de estudar os efeitos físicos da meditação em um grupo de praticantes assíduos. Essas pessoas não tinham problemas de pressão alta e diziam que isso estava relacionado à meditação.
Foi
então que realmente estabeleci a conexão entre corpo e mente.
BF
- O que o senhor notou no corpo dessas pessoas?
HB - Percebi que durante a prática há a diminuição da pressão arterial, da freqüência cardíaca e do ritmo respiratório. Tentei, então, descobrir o que provocava isso. E são dois os componentes básicos capazes de causar essas reações: a repetição de palavras e a capacidade de deixar os pensamentos de lado.
HB - Percebi que durante a prática há a diminuição da pressão arterial, da freqüência cardíaca e do ritmo respiratório. Tentei, então, descobrir o que provocava isso. E são dois os componentes básicos capazes de causar essas reações: a repetição de palavras e a capacidade de deixar os pensamentos de lado.
Como
parte do estudo, pesquisei os estados meditativos ao longo da
história e nas diferentes religiões e esse efeito estava presente
no cristianismo, no judaísmo e no budismo.
BF
- Qualquer tipo de meditação traz benefícios?
HB - Meditação é deixar a mente livre de pensamentos. E isso é geralmente conseguido pela repetição de palavras. Quando um católico reza um terço, por exemplo, ele está meditando. Não importa o que está dizendo, desde que aquela palavra tenha um significado importante para ele. Pode ser paz, amor, aleluia, shalom, um mantra (os sons sagrados orientais).
HB - Meditação é deixar a mente livre de pensamentos. E isso é geralmente conseguido pela repetição de palavras. Quando um católico reza um terço, por exemplo, ele está meditando. Não importa o que está dizendo, desde que aquela palavra tenha um significado importante para ele. Pode ser paz, amor, aleluia, shalom, um mantra (os sons sagrados orientais).
Os
pacientes que escolhem repetir palavras ou expressões relacionadas
com suas crenças religiosas têm maior probabilidade de meditar
continuamente e melhores resultados fisiológicos do que aqueles que
escolhem palavras indiferentes, sem um significado particular. E
existem técnicas orientais que também causam as mesmas mudanças
físicas, como ioga, tai chi chuan, chi kun e a dança.
BF
- Meditar ajuda no processo de cura e prevenção de quais
doenças?
HB - As que apresentam melhor resposta ao relaxamento são hipertensão, problemas cardíacos, insônia, calorões da menopausa e toda forma de dor, inclusive as crônicas. Nesses casos, meditar ajuda a suportar melhor os desconfortos.
BF - E a infertilidade?
HB - Problemas de infertilidade, causados por estresse e ansiedade, melhoram 50% depois da prática diária do relaxamento e 59% das mulheres têm diminuição dos sintomas de TPM (tensão pré-menstrual). Mas é preciso lembrar que não se deve abandonar os medicamentos, independentemente do problema de saúde.
HB - As que apresentam melhor resposta ao relaxamento são hipertensão, problemas cardíacos, insônia, calorões da menopausa e toda forma de dor, inclusive as crônicas. Nesses casos, meditar ajuda a suportar melhor os desconfortos.
BF - E a infertilidade?
HB - Problemas de infertilidade, causados por estresse e ansiedade, melhoram 50% depois da prática diária do relaxamento e 59% das mulheres têm diminuição dos sintomas de TPM (tensão pré-menstrual). Mas é preciso lembrar que não se deve abandonar os medicamentos, independentemente do problema de saúde.
Quem
pratica as várias formas de meditação deve, sim, avisar seu
médico.
BF
- Por quê?
HB - Se a prática é diária, as doses do medicamento precisam ser diminuídas. Caso contrário, passa-se a ter efeitos colaterais causados pelo excesso de remédios.
Por exemplo, em quem é hipertenso, toma medicação e começa a meditar todo dia, a pressão arterial vai cair naturalmente. Assim, as doses dos remédios devem ser reduzidas aos poucos, com a orientação do especialista, até que a pressão se normalize. Percebo que, em males como a Aids ou o câncer, a meditação ajuda a suportar melhor os efeitos colaterais dos tratamentos.
HB - Se a prática é diária, as doses do medicamento precisam ser diminuídas. Caso contrário, passa-se a ter efeitos colaterais causados pelo excesso de remédios.
Por exemplo, em quem é hipertenso, toma medicação e começa a meditar todo dia, a pressão arterial vai cair naturalmente. Assim, as doses dos remédios devem ser reduzidas aos poucos, com a orientação do especialista, até que a pressão se normalize. Percebo que, em males como a Aids ou o câncer, a meditação ajuda a suportar melhor os efeitos colaterais dos tratamentos.
Ou
seja, há uma melhora na qualidade de vida desses pacientes.
BF
- A fé interfere na cura?
HB
- Defendo uma medicina unificada de corpo, mente e espírito. Se a fé
não fosse importante, como você explicaria o efeito placebo?
Pesquisas demonstram que uma pílula com açúcar dada em laboratório
tem resultados positivos em 90% das pessoas com problemas de
depressão e ansiedade. Isso é o que chamo de fator fé.
BF
- E a fé religiosa, ela conta pontos para a saúde?
HB
- Estudos comparativos de grupos religiosos e não religiosos
constataram: quem é mais religioso é mais saudável,
independentemente da alimentação ou da atividade física. Isso
também independe da religião. Um católico, por exemplo, que reza
todos os dias e acredita em sua crença produz os mesmos efeitos
benéficos para o organismo que um budista, que medita diariamente. O
importante é a resposta que o relaxamento causa no organismo. Pode
ser com meditação, rezando terço, com ioga.
BF
- Existe uma idade certa para começar a praticar?
HB
- Crianças a partir de 5 anos já podem ser iniciadas. Estudos
feitos em Harvard demonstram que isso reduz a ansiedade, facilita a
concentração, a capacidade de aprender e de ter notas melhores na
escola em comparação a garotos que não meditam.
BF
- É preciso meditar todos os dias? Quanto tempo?
HB - Para obter uma resposta eficaz, deve-se praticar uma ou duas vezes por dia, de dez a 20 minutos, cada vez. As alterações fisiológicas causadas pela meditação duram 24 horas, e isso faz também com que o praticante se torne mais resistente ao estresse e às doenças causadas por ele.
O ideal é meditar de manhã, ao acordar (antes do café da manhã), e no final da tarde.
HB - Para obter uma resposta eficaz, deve-se praticar uma ou duas vezes por dia, de dez a 20 minutos, cada vez. As alterações fisiológicas causadas pela meditação duram 24 horas, e isso faz também com que o praticante se torne mais resistente ao estresse e às doenças causadas por ele.
O ideal é meditar de manhã, ao acordar (antes do café da manhã), e no final da tarde.
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